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O câncer de mama atinge hoje cerca de 73.610 mulheres por ano no Brasil. E, apesar de ser muito divulgado na mídia e nos centros e programas de saúde, o tema gera muitas dúvidas. Para entender melhor a doença respondo abaixo as principais perguntas que ouço no consultório.



1. Uma mulher cuja mãe teve câncer de mama, provavelmente,
também terá a doença?

Não necessariamente. Quando a paciente tem um familiar de primeiro grau com câncer de mama, isso aumenta seu risco pessoal, principalmente se o parente recebeu o diagnóstico antes dos 50 anos. A orientação, então, é procurar o mastologista, tentar estimar o risco de desenvolver o câncer de mama e avaliar quando deve iniciar o rastreamento e com qual frequência. Nesses casos, as medidas preventivas merecem um pouco mais de atenção. Mas isso não significa que a paciente desenvolverá o câncer de mama.


2. Algumas meninas apresentam câncer na puberdade?

Câncer de mama não costuma acometer mulheres tão jovens! Os casos mais precoces costumam aparecer por volta dos 30 anos. Estudos mostram que a média de idade para o diagnóstico do câncer de mama é 54 anos, sendo que no Brasil cerca de 41% das mulheres têm menos de 50 anos.


3. O uso do silicone é um fator de risco para câncer de mama?

Não, se for um carcinoma, câncer de mama mais comum, responsável por 95% dos casos. As próteses de silicone, entretanto, podem estar associadas a um tipo de câncer muito raro, o linfoma anaplásico de grandes células da mama, cuja incidência varia entre 2,8 a cada 100.000 a 1,3 milhões de pacientes com implantes mamários. 

 

4. O câncer de mama pode interferir na sexualidade feminina?

Sim. Além de impactar a saúde física, o câncer de mama pode afetar o estado emocional da mulher. Os tratamentos, como quimioterapia e radioterapia, podem provocar muita fadiga e indisposição, o que tende a diminuir o desejo sexual. Podem também surgir medos e sintomas de ansiedade e depressão, que devem ser logo diagnosticados e tratados. Existe ainda uma preocupação com a auto imagem, desde o momento em que ocorre a queda de cabelo, nos casos em que a paciente realiza quimioterapia, até o período após a cirurgia conservadora de mama ou a mastectomia. Ambas podem deixar cicatrizes e assimetrias, alterar sensibilidade local e conformação previa da mama. Por isso, a tendência hoje é sempre buscar um bom resultado estético utilizando técnicas de reconstrução mamaria e simetrização, para que a paciente fique o mais confortável possível com o seu resultado estético final. Nesse cenário, a sexualidade pode ficar prejudicada, seja por insegurança, insatisfação ou mesmo desconforto e este tema deve ser abordado pela equipe multidisciplinar, visando o bem estar da paciente e auxiliando a retomada da sexualidade. Durante o tratamento, é importante a mulher dividir essas angústias com o companheiro, amigas e família e, se possível, com os profissionais envolvidos no seu tratamento. As redes de apoio vão ajudá-la a refletir sobre toda a situação, aceitar melhor seu corpo e sentir que está vivendo uma etapa da vida que pode ser superada.


5. O câncer de mama sempre provoca metástases? Quais as mais comuns?

Não! Quando o câncer de mama é tratado em um estágio inicial, a chance de cura é de mais de 90%. Se, entretanto, ocorrerem metástases, as mais comuns do câncer de mama são em ossos, fígado e pulmões. É importante ressaltar que hoje existem muitas opções de tratamento para os diversos tipos de câncer seja ele restrito a mama ou nos casos em que existem metástases. 


6. Mulheres que amamentam correm menos risco de ter câncer de mama?

Sim. A amamentação provoca uma espécie de amadurecimento das mamas e isso diminui os riscos de câncer na região. As mamas se desenvolvem ao longo dos anos e completam seu amadurecimento após a amamentação. Então, a amamentação deixa a mama menos suscetível à ação hormonal, diminuindo os riscos de ter câncer de mama. 


7. Há alguma regra para o tratamento do câncer de mama após os 70 ou 80 anos de idade?

O tratamento do câncer de mama é determinado pelo subtipo do tumor, pelo seu tamanho e pelo acometimento ou não dos linfonodos. A idade pode alterar o tratamento caso a paciente tenha comorbidades como doenças cardíacas, renais e hipertensão não controlada. Para pacientes na pós menopausa, com tumores iniciais e receptores hormonais positivos, a quimioterapia pode não ser necessária. 


8. O período pós-mastectomia é complicado? A recuperação demora? 

Depende. Se foi realizada uma mastectomia simples, sem reconstrução da mama, a paciente se recupera em cerca de 15 dias. Em casos de reconstrução com próteses ou retalhos musculares, os cuidados são mais demorados e a paciente deve permanecer em repouso por pelo menos 30 dias. Nesse período, é recomendado:

• Não pegar peso. Quando indicado, usar o sutiã cirúrgico com abertura frontal o tempo todo, tirando-o apenas no banho. 

• Não elevar o braço acima da altura do ombro.

• Evitar deitar do lado operado.

• Esvaziar os drenos de 12/12h e anotar o volume.

• Deixar os curativos limpos e secos.


9. A prótese mamária pode ser colocada logo após a mastectomia ou é melhorar aguardar um tempo para evitar riscos?

Isso é decidido em conjunto com o cirurgião. Se a situação permitir, a prótese pode sim ser colocada na mesma cirurgia. Caso não seja possível colocar a prótese definitiva considera-se colocar um expansor. O processo consiste em colocar uma prótese mais vazia, que vai sendo insuflada com soro fisiológico no consultório, até atingir o tamanho desejado. Isso cria o espaço necessário para o expansor ser trocado pela prótese em uma próxima cirurgia.


10. A retirada da mama pode causar depressão? Como prevenir isso?

Sim. A depressão pode ser causada pela fragilidade, pelo medo do câncer ou pela alteração da imagem corporal. As dúvidas e angústias em relação ao tratamento devem ser esclarecidas. Caso surjam sentimentos e/ou pensamentos que causam tristeza, angústia, medo sofrimento é importante reportá-los ao médico o quanto antes. Nesse período, é essencial uma boa rede de apoio para acompanhar a paciente durante o tratamento do câncer, composta por amigos, familiares e profissionais de saúde.




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O câncer de mama atinge hoje cerca de 73.610 mulheres por ano no Brasil. E, apesar de ser muito divulgado na mídia e nos centros e programas de saúde, o tema gera muitas dúvidas. Para entender melhor a doença respondo abaixo as principais perguntas que ouço no consultório.


1. Uma mulher cuja mãe teve câncer de mama, provavelmente,
também terá a doença?

Não necessariamente. Quando a paciente tem um familiar de primeiro grau com câncer de mama, isso aumenta seu risco pessoal, principalmente se o parente recebeu o diagnóstico antes dos 50 anos. A orientação, então, é procurar o mastologista, tentar estimar o risco de desenvolver o câncer de mama e avaliar quando deve iniciar o rastreamento e com qual frequência. Nesses casos, as medidas preventivas merecem um pouco mais de atenção. Mas isso não significa que a paciente desenvolverá o câncer de mama.


2. Algumas meninas apresentam câncer na puberdade?

Câncer de mama não costuma acometer mulheres tão jovens! Os casos mais precoces costumam aparecer por volta dos 30 anos. Estudos mostram que a média de idade para o diagnóstico do câncer de mama é 54 anos, sendo que no Brasil cerca de 41% das mulheres têm menos de 50 anos.


3. O uso do silicone é um fator de risco para câncer de mama?

Não, se for um carcinoma, câncer de mama mais comum, responsável por 95% dos casos. As próteses de silicone, entretanto, podem estar associadas a um tipo de câncer muito raro, o linfoma anaplásico de grandes células da mama, cuja incidência varia entre 2,8 a cada 100.000 a 1,3 milhões de pacientes com implantes mamários. 

 

4. O câncer de mama pode interferir na sexualidade feminina?

Sim. Além de impactar a saúde física, o câncer de mama pode afetar o estado emocional da mulher. Os tratamentos, como quimioterapia e radioterapia, podem provocar muita fadiga e indisposição, o que tende a diminuir o desejo sexual. Podem também surgir medos e sintomas de ansiedade e depressão, que devem ser logo diagnosticados e tratados. Existe ainda uma preocupação com a auto imagem, desde o momento em que ocorre a queda de cabelo, nos casos em que a paciente realiza quimioterapia, até o período após a cirurgia conservadora de mama ou a mastectomia. Ambas podem deixar cicatrizes e assimetrias, alterar sensibilidade local e conformação previa da mama. Por isso, a tendência hoje é sempre buscar um bom resultado estético utilizando técnicas de reconstrução mamaria e simetrização, para que a paciente fique o mais confortável possível com o seu resultado estético final. Nesse cenário, a sexualidade pode ficar prejudicada, seja por insegurança, insatisfação ou mesmo desconforto e este tema deve ser abordado pela equipe multidisciplinar, visando o bem estar da paciente e auxiliando a retomada da sexualidade. Durante o tratamento, é importante a mulher dividir essas angústias com o companheiro, amigas e família e, se possível, com os profissionais envolvidos no seu tratamento. As redes de apoio vão ajudá-la a refletir sobre toda a situação, aceitar melhor seu corpo e sentir que está vivendo uma etapa da vida que pode ser superada.


5. O câncer de mama sempre provoca metástases? Quais as mais comuns?

Não! Quando o câncer de mama é tratado em um estágio inicial, a chance de cura é de mais de 90%. Se, entretanto, ocorrerem metástases, as mais comuns do câncer de mama são em ossos, fígado e pulmões. É importante ressaltar que hoje existem muitas opções de tratamento para os diversos tipos de câncer seja ele restrito a mama ou nos casos em que existem metástases. 


6. Mulheres que amamentam correm menos risco de ter câncer de mama?

Sim. A amamentação provoca uma espécie de amadurecimento das mamas e isso diminui os riscos de câncer na região. As mamas se desenvolvem ao longo dos anos e completam seu amadurecimento após a amamentação. Então, a amamentação deixa a mama menos suscetível à ação hormonal, diminuindo os riscos de ter câncer de mama. 


7. Há alguma regra para o tratamento do câncer de mama após os
70 ou 80 anos de idade?

O tratamento do câncer de mama é determinado pelo subtipo do tumor, pelo seu tamanho e pelo acometimento ou não dos linfonodos. A idade pode alterar o tratamento caso a paciente tenha comorbidades como doenças cardíacas, renais e hipertensão não controlada. Para pacientes na pós menopausa, com tumores iniciais e receptores hormonais positivos, a quimioterapia pode não ser necessária. 


8. O período pós-mastectomia é complicado? A recuperação demora? 

Depende. Se foi realizada uma mastectomia simples, sem reconstrução da mama, a paciente se recupera em cerca de 15 dias. Em casos de reconstrução com próteses ou retalhos musculares, os cuidados são mais demorados e a paciente deve permanecer em repouso por pelo menos 30 dias. Nesse período, é recomendado:

• Não pegar peso. Quando indicado, usar o sutiã cirúrgico com abertura frontal o tempo todo, tirando-o apenas no banho. 

• Não elevar o braço acima da altura do ombro.

• Evitar deitar do lado operado.

• Esvaziar os drenos de 12/12h e anotar o volume.

• Deixar os curativos limpos e secos.


9. A prótese mamária pode ser colocada logo após a mastectomia ou é melhorar aguardar um tempo para evitar riscos?

Isso é decidido em conjunto com o cirurgião. Se a situação permitir, a prótese pode sim ser colocada na mesma cirurgia. Caso não seja possível colocar a prótese definitiva considera-se colocar um expansor. O processo consiste em colocar uma prótese mais vazia, que vai sendo insuflada com soro fisiológico no consultório, até atingir o tamanho desejado. Isso cria o espaço necessário para o expansor ser trocado pela prótese em uma próxima cirurgia.


10. A retirada da mama pode causar depressão? Como prevenir isso?

Sim. A depressão pode ser causada pela fragilidade, pelo medo do câncer ou pela alteração da imagem corporal. As dúvidas e angústias em relação ao tratamento devem ser esclarecidas. Caso surjam sentimentos e/ou pensamentos que causam tristeza, angústia, medo sofrimento é importante reportá-los ao médico o quanto antes. Nesse período, é essencial uma boa rede de apoio para acompanhar a paciente durante o tratamento do câncer, composta por amigos, familiares e profissionais de saúde.

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