O HPV (Papilomavírus Humano) é uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo e um tema que aparece com frequência no consultório. Apesar disso, ainda existe bastante desinformação — e muitas vezes medo — sobre o tema. Falar sobre HPV é falar de prevenção, saúde feminina e acompanhamento médico adequado. 


Capaz de infectar pele e mucosas, o HPV é um vírus com mais de 200 subtipos. Cerca de 40 deles acometem a região genital e são classificados em baixo ou alto risco, dependendo do potencial de provocar alterações celulares importantes. 


De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com o vírus em algum momento da vida. Na maior parte dos casos o próprio organismo elimina a infecção em até dois anos. Receber, portanto, o diagnóstico não significa automaticamente ter uma doença grave, mas sim a necessidade de acompanhar a evolução da infecção para evitar que ela se torne persistente.


Prevenção: vacinação, preservativos e acompanhamento ginecológico

A prevenção do HPV se baseia em três pilares principais. O primeiro é a vacinação, considerada a estratégia mais eficaz para reduzir o risco de infecção pelos tipos associados ao câncer. O segundo é o uso de preservativos, que diminui significativamente o risco de transmissão, embora não ofereça proteção total, já que o vírus pode estar em áreas não cobertas. O terceiro é o acompanhamento ginecológico regular, com exames de rastreamento que permitem identificar alterações precoces. 

Diretrizes de centros de pesquisa internacionais, como o American College of Obstetricians and Gynecologists, mostram que programas que unem vacinação e rastreamento reduzem de forma significativa a incidência do câncer de colo do útero. No consultório, costumo reforçar que prevenção não é um ato isolado, mas um cuidado contínuo ao longo da vida.


A vacina nonavalente, por exemplo, representa um avanço importante porque protege contra nove tipos do HPV, incluindo os principais relacionados ao câncer, como os tipos 16 e 18, e também aqueles associados às verrugas genitais. No Brasil, o SUS oferece principalmente a vacina quadrivalente para adolescentes, enquanto a nonavalente está disponível na rede privada. 

Estudos internacionais, incluindo pesquisas conduzidas por universidades como a Harvard University, demonstram alta eficácia na prevenção de lesões precursoras quando a vacinação ocorre antes do início da vida sexual, embora adultos também possam se beneficiar em determinadas situações. Uma dúvida comum no consultório é se quem já teve HPV deve se vacinar, e muitas vezes a resposta é sim, porque a vacina pode proteger contra outros subtipos do vírus.

Também é importante lembrar que homens podem ter e transmitir HPV, e que a vacinação é recomendada para ambos os sexos. E mais: mesmo pessoas vacinadas devem continuar realizando acompanhamento médico, já que nenhuma vacina cobre 100% dos tipos existentes.


Formas de contágio e diagnóstico precoce

A transmissão do HPV ocorre principalmente por contato sexual — vaginal, anal e oral — mas também pode acontecer por contato pele a pele na região íntima, mesmo sem penetração. Uma característica importante do vírus é que, na maioria das vezes, ele não provoca sintomas, o que aumenta o risco de contágio. Quando há sintomas, eles podem aparecer em forma de verrugas genitais, pequenas lesões na região íntima ou alterações detectadas apenas em exames de rotina. 

O diagnóstico do HPV pode ser feito por meio do exame ginecológico clínico, do Papanicolau, da colposcopia e dos testes moleculares de DNA-HPV. Esses testes ganham cada vez mais espaço nas recomendações internacionais porque identificam com maior precisão os tipos virais de alto risco. Essa evolução permite um acompanhamento mais personalizado e evita tanto intervenções desnecessárias quanto atrasos no tratamento quando ele é realmente indicado.


HPV: quando o vírus pode causar câncer

Entre os diversos tipos de HPV, alguns são considerados mais perigosos por seu potencial oncogênico. Os tipos 6 e 11, por exemplo, costumam causar verrugas genitais e têm baixo risco de evolução para câncer. Já os tipos 16 e 18, além de outros como 31 e 45, estão associados à maioria dos casos de câncer de colo do útero. Segundo a International Agency for Research on Cancer, cerca de 70% dos casos desse câncer estão ligados aos tipos 16 e 18. O ponto central, porém, não é apenas o tipo viral, mas a persistência da infecção ao longo do tempo.

O câncer do colo do útero, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), é um dos tumores mais incidentes entre as mulheres brasileiras, com estimativa de cerca de 17 mil novos casos ao ano. Estudos internacionais mostram que praticamente todos os casos de câncer de colo do útero estão associados à infecção persistente por tipos de HPV de alto risco. 

A boa notícia é que a evolução costuma ser lenta, levando anos para acontecer, o que oferece uma janela importante para diagnóstico precoce e tratamento das lesões antes que elas se transformem em câncer. É por isso que, na prática médica, reforço tanto a importância dos exames preventivos: eles mudam completamente o prognóstico.


Tratamentos: atacam as manifestações do HPV

Em relação aos tratamentos, não existe uma medicação capaz de eliminar diretamente o vírus, mas existem tratamentos eficazes para suas manifestações, como remoção de verrugas por laser, cauterização, crioterapia e manejo das lesões precursoras no colo do útero. Muitas infecções desaparecem espontaneamente graças ao sistema imunológico, especialmente em pessoas mais jovens, o que reforça a importância de uma avaliação individualizada antes de decidir qualquer intervenção.


Como médica, minha mensagem é simples: o HPV é comum, mas hoje temos recursos eficazes para prevenir complicações graves. Vacinação, exames regulares e orientação profissional permitem que a maioria das mulheres (e homens) enfrentem essa questão com segurança. Conhecimento e acompanhamento médico são, sem dúvida, os maiores aliados da saúde.


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